Agosto:

Mês Vocacional

Amados e chamados por Deus

A História da Salvação é marcada por vários chamados, convites e propostas do Deus amor e também pelas diversificadas respostas da humanidade, de aceitação ou não ao seu projeto. Deus não desiste, sempre toma a iniciativa para nos salvar, apostando em homens e mulheres insuficientes, limitados, mas que pela sua Graça são capacitados para fazer sua vontade. Você tem um chamado! Todo batizado é vocacionado, é convidado a percorrer o caminho com o Senhor até a plena realização da sua humanidade em Cristo, no Céu. Mas talvez esteja se perguntando: qual é a minha vocação? Você tem várias possibilidades de responder ao Senhor e nesta partilha trataremos sobre a vocação comum de todo batizado e sobre as vocações específicas, certos de que vocação acertada, consequentemente é vida feliz com Jesus.
A palavra vocação é oriunda da palavra latina vocare, que significa “chamar” ou “chamado”. No hebraico não existe este termo, sendo equivalente a “enviar”, “ir” ou “escolher”. No grego corresponde a kaleo, que significa “chamar” ou “convocar”. Portanto, há quem chama e quem é chamado, assim como objeções, respostas e promessas. São João Paulo II na Pastores Dabo Vobis, n. 36, afirma que a vocação é “um inefável diálogo entre Deus e o homem, entre o amor de Deus que chama e a liberdade do homem que no amor responde a Deus”. Na Sagrada Escritura encontramos vários exemplos, tais como:  Abraão, desafiado a sair de sua estabilidade, mas é confortado pela promessa de Deus (Gn 12.1,2); Moisés, que antes de responder faz várias objeções (Ex 3,10-12); Samuel, que no processo escuta voz do Senhor (1 Sam 3,9-10); o chamado dos Apóstolos (Mc 3,13-19); o emblemático encontro com o jovem rico (Lc 18,18-27); a experiência vocacional de Paulo (At 9,1-20) entre outros.
A vocação comum de todo batizado é a santidade, ou seja, somos chamados pelo Senhor que é Santo (Lv 11,44; 1Pe 1,15-16) a sermos santos como Ele, a  fazermos o itinerário de retorno à nossa essência, sua imagem e semelhança (Gn 1,26). Para muitos ser santo é quase um ato heroico, mas o Papa Francisco na Gaudete et exsultate, n 34, nos aconselha: “não tenhas medo de apontar para mais alto, de te deixares amar e libertar por Deus. Não tenhas medo de te deixares guiar pelo Espírito Santo. A santidade não te torna menos humano, porque é o encontro da tua fragilidade com a força da graça”.
Desde 1981, a Igreja do Brasil dedica o mês de agosto à oração, reflexão e atividades paroquiais com o tema vocação, abordando em cada domingo um chamado específico para um estado de vida ou um ministério específico. No primeiro domingo meditamos sobre a vocação aos ministérios ordenados, ou seja, aqueles que receberam o sacramento da ordem para servir como diácono, presbítero ou bispo; no segundo sobre a vocação ao matrimônio, à vida em família; no terceiro sobre a vocação à vida religiosa, homens e mulheres que se ofertam ao Senhor em um carisma específico, fazendo votos de castidade, pobreza e obediência; e no quarto e último, sobre a vocação do cristão leigo na Igreja, no qual celebramos o dia do catequista.
A partir da intimidade com a Palavra de Deus, da vida de oração e com o auxílio de um diretor espiritual, é possível fazer um caminho de discernimento vocacional. Diante de tantas vozes, ouvir a voz do Senhor que nos chama para uma missão ou um serviço, que tem planos de felicidade (cf. Jer 29,11-14) e vida plena para nós. Nenhuma  vocação se realiza na pessoa, mas sempre se coloca em direção ao outro. O chamado se manifesta em nosso dia-a-dia por meio de nossa livre e amorosa resposta e adesão ao projeto de Deus, por meio do seguimento a Jesus Cristo. Desta forma, é importante ter presente que não somos nós que escolhemos seguir a Jesus Cristo, mas somos escolhidos pelo Pai e chamados por seu Filho (cf. Jo 15,16). O Deus Amor nos ama e nos chama para amar como discípulos-missionários de Jesus Cristo.

Por Rafael Nascimento


















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