Natal, tempo da graça.

Natal, celebração do nascimento de Jesus Cristo, acontecido em Belém da Judéia, como testemunham os evangelhos. Suas narrativas são comoventes, e nos fornecem os dados que a tradição foi recolhendo para compor o bonito cenário que tenta reproduzir o acontecimento do maravilhoso encontro entre o céu e a terra, entre Deus e o ser humano.

A mensagem contida na singela narrativa do nascimento de um menino é muito mais profunda do que à primeira vista pode parecer. O mistério da encarnação, na verdade, revela que Deus se inseriu na história humana, não para negar a validade de sua dinâmica interna, nem para suprimir nossas responsabilidades, mas, ao contrário, para mostrar que a humanidade conta com a solidariedade de Deus e na medida em que aceita e assimila esta solidariedade, a história humana pode continuamente retomar o rumo de sua realização verdadeira.

O nascimento de Jesus é tema permanente, não pode ser só de um dia de festa, mas de toda a trajetória da humanidade. Não basta uma festiva celebração, comida, bebida, música, enfeites e outras iniciativas passageiras; é necessário nos comprometermos com o Deus revelado em Jesus Cristo que por amor veio ao nosso encontro. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”, Deus eterno, o Filho, segunda pessoa da Santíssima Trindade, assume a nossa natureza humana. Um Deus em forma de criança, um Deus que nasce numa manjedoura, perto dos pobres como Maria e José, dos trabalhadores como os pastores, um Deus incompreendido pelos grandes como Herodes, um Deus que precisa ser cuidado por uma família como qualquer criança. Jesus é o Deus conosco, interessado por nós, que cuida de nós, que acompanha nossa vida. Ele não veio apenas nos visitar, mas fazer morada na terra dos homens e mulheres, os quais, muitas vezes, sem o saber, clamam no íntimo de seus corações: vem, Senhor Jesus. Pois o Senhor é o caminho, a verdade e a vida.

O Natal é o momento privilegiado para aprendermos as lições profundas que o Filho de Deus nos dá, abrindo a nossa compreensão para a prática do amor solidário em nossas vidas. No ambiente familiar, é a oportunidade de reconciliação e melhoria na vivencia da fraternidade. Nas situações cotidianas na sociedade, precisamos esquecer mágoas e renovar o relacionamento e apreço mútuos.

O Natal é convite não apenas para refletir sobre a bondade e ternura do nosso Deus, mas momento forte de adoração, agradecimento, compromisso e vivência corajosa do seguimento daquele que veio trazer paz, alegria, força e coragem. Diante do presépio, cada cristão deveria parar, olhar, contemplar e adorar. E sair dali, levando em seu coração emoções que jamais deveriam se apagar, e assumindo o compromisso com a construção do Reino eterno e universal que Jesus veio instaurar: reino da verdade e da vida, da santidade e da graça, da justiça, do amor e da paz.

Monsenhor Luiz Carlos de Paula

Reitor do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio

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